segunda-feira, 16 de agosto de 2010

[TERRA. IND.VALE DO JAVARI] AUTOGOVERNO É POSSÍVEL

Grupos indígenas da Amazônia peruana anunciaram que planejam lançar
seu próprio partido político antes das eleições no país, programadas
para 2011.
Seu líder, Alberto Pizango, disse que pretende fazer campanha para
proteger a floresta e os direitos dos índios dos Andes e do Amazonas.
O anúncio acontece cerca de um ano após esses grupos terem
protagonizado um dos maiores levantes indígenas da história recente do
Peru.
Pizango, que está em liberdade condicional, acusado de liderar o
levante, disse que talvez concorra à Presidência.
Em entrevista coletiva, representantes da Aidesep (Associação
Interétnica da Selva Peruana), maior organização de índios amazônicos
do país, disseram que seu partido, a Aliança para uma Alternativa para
a Humanidade (Aphu), nasce não apenas como um partido indígena, e sim
com uma agenda nacional.
Na língua dos índios quechua, a palavra apu quer dizer "líder" ou
"deus da montanha".
Durante o evento, Pizango, que tem 45 años, disse que a Aphu "tenta
abraçar todos os cidadãos do Peru que defendem os bosques, a natureza
e a vida no planeta Terra".
Falando à BBC, o ex-ministro do Interior do Peru Fernando Rospigliosi
protestou contra o lançamento do partido e disse que Pizango "não tem
qualquer chance de chegar à Presidência".
"Isto é parte do efeito Evo, pelo qual líderes que promovem a desordem
e recorrem a uma série de atos violentos julgam que isso pode levá-los
ao poder", afirmou. "Mas o Peru não é a Bolívia. Aqui não vai
acontecer isso".
Historicamente, a população indígena na região amazônica do Peru nunca
foi representada na política nacional. Pizango disse que começou a
coletar as assinaturas necessárias para que o grupo seja reconhecido
como um partido político e que pretende fazer o registro formal em
setembro.

Protestos

A Aidesep é uma federação que reúne mais de 60 tribos do Amazonas
peruano.
No ano passado, índios protestaram violentamente contra
empreendimentos ligados à extração de petróleo no Amazonas.
Pizango nega as acusações de ter liderado o levante, em que tribos
bloquearam estradas perto da cidade de Bagua.
Mais de 30 pessoas morreram nos confrontos entre índios e policiais.
Entre os mortos, segundo relatos, estariam 24 policiais.
Pizango fugiu para a Nicarágua para evitar a prisão, mas retornou ao
Peru em maio e está em liberdade condicional.
O governo peruano estima que haja 400 mil índios na Amazônia peruana,
mas Pizango afirma que eles são em torno de um milhão.
Ao contrário do que ocorre na Bolívia e no Equador, a grande população
indígena do Peru não tem um papel ativo na política nacional peruana
nos tempos modernos.
Em junho último, o presidente do país, Alan Garcia, se recusou a
assinar uma lei que daria aos povos indígenas mais poder para
suspender projetos envolvendo mineração e extração de petróleo em suas
terras.
A lei foi aprovada pelo Congresso, mas Garcia disse que não poderia
deixar comunidades indígenas interromperem o desenvolvimento que
beneficiaria a todos os peruanos.

fonte: http://senhoradosoldosul.blogspot.com/

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ELIESIO MARUBO 2010
"A FORÇA INDÍGENA PARA O TRABALHO NO AMAZONAS!"

O outro lado da moeda