segunda-feira, 27 de setembro de 2010

[TERRA. IND.VALE DO JAVARI] Re: [rsp] INDÍGENAS NO INCÊNDIO DA FAVELA REAL PARQUE Cerca de 40 famílias indígenas foram atingidas

Jornalista Valeria e Parentes:


Parabens Valeria pela excelente reportagem e em tempo recorde.

Parentes: cabe-nos a delicada tarefa de ver o que eh possivel fazer
para ajudar.

Parente Dora Pankararu, posso contribuir com uma cesta de roupas, sei
que eh pouco mas se cada qual fizer um pouco conseguiremos muito
(estou escrevendo isto para estimular as pessoas a fazer cada qual
PELO MENOS um pouco).

Em solidareidade,

Miryam Hess (Hanak Killa) - http://www.grumin.org.br

On Sat, 25 Sep 2010 01:07:20 -0700 (PDT)
Vanessa Ramos <ecosdaarte@yahoo.com.br> wrote:
> INDÍGENAS NO INCÊNDIO DA FAVELA REAL PARQUE
> Cerca de 40 famílias indígenas foram atingidas
>
> Vanessa Ramos*
>
> De um lado, a favela do Real Parque com muitas habitações
>precárias.
> De outro, a Ponte Estaiada e condomínios de luxo. Um dos lados exige
>condições
> dignas de moradia e sobrevivência, enquanto outro prefere a
>preservação daquilo
> que tem sido um cartão-postal dentro da cidade de São Paulo
>incitando,
> inclusive, o mercado imobiliário.
> Mas apenas um lado sofre nesse momento. Um incêndio
>atingiu a favela
> do Real Parque, na zona sul de São Paulo, na manhã da sexta-feira
>(24/09). No
> local que era conhecido pelos moradores como alojamento da Rocinha,
>viviam cerca
> de 300 famílias, em um número aproximado de 1.200 pessoas, conforme
>informações
> da subprefeitura do Butantã.
> Foi grande o desespero das pessoas no local e o fogo se
>alastrou
> rapidamente nos barracos construídos em madeira e em alvenaria. A
>maioria dos
> que viviam no alojamento estavam trabalhando no momento e, ao
>receberem a
> informação, correram para socorrer pessoas da família e algum objeto
>que
> pudessem resgatar. Não se conhece a causa do incêndio, mas, de
>acordo com
> informações, não há mortos no local.
>
> Poder Público
>
> A Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), a Defesa
>Civil
> Municipal, o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e a
>Subprefeitura
> do Butantã estiveram reunidos no local com moradores e lideranças do
>Real
> Parque. Conforme moradores locais, estas representações do poder
>público
> explicaram que em um primeiro momento iriam cadastrar as famílias
>que perderam
> as moradias.
>
> Num segundo momento, distribuiriam um kit básico com cobertores,
>alimentos,
> colchões e outros itens básicos. Além disso, afirmaram não poder
>fazer nada
> imediato para abrigar as famílias. Apenas a partir dos dias 28 e 29
>de setembro
> falariam com as famílias, ofereceriam uma bolsa aluguel no valor de
>R$ 400,00
> (quatrocentos reais), provisoriamente por doze meses. Segundo
>consta, dar-se-á
> início a construção de conjuntos habitacionais, mas, não foram
>apresentas datas
> previstas.
>
> Na reunião, foi alegado por membro da comunidade que as pessoas não
>poderiam
> dormir na chuva. Mesmo assim, a partir das 19h00, representantes do
>poder
> público fecharam o Projeto Comunitário Casulo, obrigando as famílias
> desabrigadas a buscarem apoio e abrigo de outras casas na favela.
>Muitos
> moradores ofereceram suas casas para famílias que estavam até mesmo
>com crianças
> de colo. No final da noite, informou-se que o poder público entregou
>colchões,
> cobertores e alimentos para as famílias.
>
>
>Famílias Indígenas
>
> Das cerca de 300 famílias atingidas, aproximadamente 40
>famílias são
> indígenas Pankararu, sendo uma média de 180 indígenas desabrigados.
>O povo
> Pankararu é originário do estado de Pernambuco e começou a migrar
>para São Paulo
> já na década de 1950, lutando há anos, na metrópole paulista, por
>melhores
> condições de sobrevivência e permanente reconhecimento de sua
>identidade.
>
> Maria Lídia da Silva, Pankararu, agente de saúde e
>vice-presidente
> da Associação SOS Pankararu conta que a situação a deixou
>desesperada vendo o
> estado caótico que estavam as famílias tentando recuperar o que
>fosse possível.
> No momento, viu muitos alunos de uma escola próxima
>incontrolavelmente,
> pressionando e saindo do portão escolar em busca de suas famílias.
>"Espero que
> nunca mais em minha vida eu veja uma situação como essa de meus
>parentes
> sofrendo tanto", relata.
>
> Para Maria das Dores, Pankararu e presidente da
>Associação SOS
> Pankararu, "o governo do Estado não toma providências cabíveis às
>minorias
> comunitárias. Não existe diálogo claro que garanta o entendimento da
> comunidade". Para ela, a comunidade não acredita nas propostas
>públicas, pois,
> não se apresentam garantias no que é dito. "Não apresentam melhorias
>nas
> condições de moradia e habitação". A líder indígena aponta que a
>comunidade
> Pankararu, há mais de 20 anos vem solicitando uma área territorial
>própria que
> os prive dessas condições humilhantes e desumanas.
>
> Apelo
>
> A liderança Ubirajara Ângelo de Souza, indígena
>Pankararu, diz que
> as pessoas já viviam precariamente sem rede de esgoto, com falta de
>saneamento
> básico. "Isso tudo por falta de moradia e porque muitos governantes
>não ligam
> para o ser humano, especialmente para nós que somos indígenas".
>
> Ele afirma que as situações se repetem. Isso é visto
>tanto no Real
> Parque, zona sul, como na zona leste de São Paulo onde há muitas
>famílias
> Pankararu vivendo em áreas de risco e buscando apoio e moradia
>através do poder
> público, para o atendimento específico a indígenas que vivem em
>áreas urbanas.
> "Nós não vendemos terra nenhuma a ninguém. Hoje nós pedimos um
>pedaço de terra e
> somos tratados de maneira indigna. Onde estivermos, seja em qual
>território
> brasileiro for, somos índios. A quem temos que pedir terra, se somos
>donos
> dessas terras que foram invadidas?", reflete indignado.
> Mesmo na situação de miséria e de descaso público, esse
>povo
> indígena vem fortemente garantindo os seus usos e costumes
>tradicionais,
> "independente das más condições de vida que possuem nessa cidade,
>dentro dessa
> favela", aponta Dores.
>
> Para muitas famílias, é desmoralizante observarem a contradição
>luxuosa, do
> outro lado da favela, na região onde vivem. Se no fim da década de
>50, migravam
> de sua aldeia por causa da seca e de conflitos com invasores, hoje
>lutam na
> cidade contra a especulação imobiliária, por respeito aos povos
>indígenas que
> vivem em áreas urbanas, por condições dignas de sobrevivência na
>metrópole e por
> uma atuação rápida e séria do poder público.
>
> * do Conselho Indigenista Missionário, na Grande São Paulo.
> 25 de setembro de 2010.
>
>
> AS FAMÍLIAS NESSE MOMENTO PEDEM APOIO E DOAÇÕES
> É PRECISO MUITA SOLIDARIEDADE
> CONTATOS DO REAL PARQUE
> Dora (liderança indígena Pankararu) – Tel.: 8156-7367
> Paula (Favela Atitude) – Tel.: 9838-5904
> Cris (Favela Atitude) – Tel.: 7503-4948
>
>
>

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ELIESIO MARUBO 2010
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